O “Livro Falante”: Algumas Notas sobre a Escravidãoe as Escrituras nos Estados Unidos

Autores

  • Allen Dwight Callahan PUC-PR

DOI:

https://doi.org/10.15603/nk2c9965

Palavras-chave:

Escravidão; Bíblia; Evangelicalismo; Resistência negra; Alfabetização; Narrativas de escravizados.

Resumo

Este artigo examina o encontro dos africanos escravizados nos Estados Unidos com a Bíblia, desde os primeiros contatos com o cristianismo colonial até as interpretações insurgentes que alimentaram revoltas e movimentos de resistência. Partindo da história de London, um muçulmano alfabetizado que escreveu o Evangelho de João em caracteres árabes, o texto analisa como o evangelicalismo do Grande Despertamento introduziu os escravizados às Escrituras, ao mesmo tempo em que a alfabetização se tornou um imperativo religioso e um campo de luta. O artigo explora a tensão entre a Bíblia como “Livro Falante” — acessível oralmente — e o livro fechado para leitores analfabetos, e como essa contradição gerou interpretações teológicas próprias, desde a esperança de reparação celestial até a leitura subversiva de textos como Êxodo, Levítico e Daniel. A análise culmina nas revoltas lideradas por Gabriel Prosser, Denmark Vesey e Nat Turner, nas quais a Bíblia foi usada como inspiração para a libertação. Por fim, o artigo reflete sobre o surgimento do “tropo do Livro Falante” nas narrativas autobiográficas de ex escravizados, destacando o papel central da Escritura na formação da consciência e da literatura afro-americana.

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Publicado

2026-05-22