Etiopismo e história da autonomia africana
DOI:
https://doi.org/10.15603/btd7yr95Palavras-chave:
Etiopismo; autonomia; hermenêutica contextual; resistência negra; pan-africanismoResumo
Este artigo analisa o etiopismo como movimento teológico, político e cultural surgido entre populações afrodescendentes e africanas entre 1880 e 1920, a partir da interpretação do Salmo 68:31 (“A Etiópia cedo estenderá para Deus as suas mãos”) e de outras passagens bíblicas. Evidencia-se como o termo “Etiópia”, associado na Bíblia a Cuxe, foi ressignificado no mundo ocidental como sinônimo de África e de população negra, tornando-se símbolo de resistência frente ao colonialismo e ao racismo missionário. O texto identifica três vertentes do etiopismo: nos Estados Unidos, com Henry McNeal Turner e a Igreja Metodista Episcopal Africana (AME); na África Ocidental, com Edward Wilmot Blyden e as igrejas independentes; e na África do Sul, com Mangena Mokone e Charlotte Maxeke. No Brasil, o etiopismo expressou-se tanto em iniciativas seculares (Centro Ethiópico, jornal O Menelik) quanto em experiências eclesiais autônomas (Igreja do Divino Mestre, missão da AME em Salvador) e na produção acadêmica de Peter T. Nash e Maricel Mena López. Conclui-se que o etiopismo constitui uma hermenêutica contextual da Bíblia, articulada a uma práxis de autonomia eclesial e política, que antecipa o nacionalismo africano e o pan-africanismo.

















