Teologia sem reificação: critérios metodológicos para o discurso teológico sob os limites da linguagem
DOI:
https://doi.org/10.20890/3pn8sz72Resumo
O artigo propõe um quadro metodológico para qualificar o dizer teológico sob os limites da linguagem, recusando tanto o pressuposto de transparência representacional (linguagem como “espelho”/“canal”) quanto a dissolução relativista dos critérios. Partindo da teologia como prática interpretativa historicamente situada e buscando preservar responsabilidade epistêmica, o estudo consiste em formular a antirreificação como critério-mãe, de modo a impedir o colapso entre enunciado, sentido e referente, ou seja, entre formulação, inteligibilidade e realidade visada. A fim de tornar o critério operável, derivam-se três exigências metodológicas - revisabilidade, vigilância semântica e responsabilidade hermenêutica — articuladas a um protocolo de leitura/avaliação do enunciado teológico que possibilita 1) classificação do ato discursivo (incluindo performatividade), 2) mapeamento regulativo da tríade signo-sentido-referente, 3) rastreamento de trocas de registro e derivações semânticas, 4) explicitação de percursos interpretativos e autoridades mobilizadas, 5) teste de revisabilidade e 6) diagnóstico do risco de desvio duplo (absolutização conceitual versus indiferença criterial). Portanto, o artigo oferece um dispositivo aplicável à autocrítica teológica e à pesquisa acadêmica, indicando como evitar a absolutização conceitual sem recair em dissolução criterial.


